Tem uma cena que se repete toda vez que um governo decide “proteger o povo” congelando preço. No começo, aplauso. O preço da carne, do gás, do aluguel, travado por lei. Parece justiça. Parece que finalmente alguém segurou a ganância. E por umas semanas, funciona. Aí a prateleira começa a esvaziar.

Não é maldade do comerciante. É matemática. O preço não é capricho. É um recado. Ele avisa que aquilo está caro de produzir, que falta no mercado, que vale a pena fazer mais. Quando você congela o preço por decreto, não baixa o custo. Só corta o recado. E sem o recado, ninguém produz, ninguém repõe, ninguém arrisca trazer mais. O produto não fica barato. Some.

Aí vem a fila. Vem o “só um por pessoa”. Vem o mercado paralelo, onde o mesmo produto reaparece mais caro, por baixo do pano, pra quem pode pagar. O pobre, que a lei dizia proteger, é o primeiro a ficar sem. O rico dá um jeito. Sempre dá.

Isso não é teoria de livro. É a história, repetida em todo lugar que tentou. Tabela o preço, esvazia a prateleira. Não tem exceção, porque não é opinião. É como a coisa funciona, goste você ou não.

O preço alto incomoda, e com razão. Mas ele é o sintoma, não a doença. Atacar o número no lugar da causa é quebrar o termômetro pra fingir que a febre passou. A febre continua. Só que agora você está cego.

Quem promete tabelar preço promete uma prateleira cheia e entrega uma fila. Da próxima vez que aplaudirem um congelamento, espera duas semanas. E olha a prateleira.