Faz um teste no próximo mercado. Você sabe o preço de tudo que põe no carrinho. O arroz, o sabão, o pão, está na etiqueta, na sua cara. Agora responde: quanto, de cada um desses preços, foi imposto? Você não sabe. Quase ninguém sabe. E isso não é por acaso. É projeto.
O imposto é o único preço da sua vida que vem sem etiqueta. Ele está embutido em tudo, escondido dentro do número que você já paga. No pão, na conta de luz, na gasolina, no remédio. Você não recebe um boleto chamado “imposto”. Paga ele mil vezes por dia, em pedacinhos, sem perceber. E o que não se percebe, não se reclama.
Aí está o gênio cruel da coisa. Se o governo te cobrasse tudo de uma vez, num boleto só, no fim do mês, você teria um susto. Veria o tamanho real do que sai do seu trabalho. Ia pra rua. Mas diluído, escondido, fatiado dentro de cada compra, o mesmo valor passa despercebido. Você reclama do preço do feijão e nem desconfia de quanto do feijão nunca foi feijão.
Por isso a transparência assusta tanto quem cobra. No dia em que cada nota mostrasse, com clareza, quanto foi produto e quanto foi imposto, a conversa mudava. As pessoas veriam. E o que se vê, se discute.
Não é caso de ser contra tudo. É caso de saber o tamanho. Você não controla o que não enxerga. E te mantêm sem enxergar de propósito, porque cidadão que sabe quanto paga é cidadão que cobra resultado.
Então, toda vez que reclamar de um preço, pergunta quanto dele foi imposto. A resposta vai te assustar. E susto, em ano de eleição, vira voto.