Tem uma frase que todo candidato repete: “eu vou gerar emprego”. Soa bonito. E é, quase sempre, vazio. Não porque o sujeito seja desonesto, mas porque ele não entende de onde emprego vem. Emprego não nasce de discurso. Não nasce de decreto. Nasce de gente que arriscou o próprio dinheiro e precisou de mão pra tocar o que começou.
Pensa em qualquer emprego de verdade. Atrás dele tem alguém que um dia botou a poupança na mesa, ou hipotecou a casa, ou abriu mão da segurança pra abrir um negócio que podia quebrar. Foi esse risco, e não um palanque, que criou a vaga. O emprego é filho da coragem de alguém, não da promessa de outro.
E é por isso que dá um nó ver o jogo invertido. Vira moda tratar quem cria emprego como vilão e quem só cobra imposto como amigo do trabalhador. Está de cabeça pra baixo. Quem te dá trabalho arriscou pra isso. Quem encarece empregar, achando que defende o trabalhador, está na verdade tornando a sua vaga mais cara, não mais segura.
A conta é simples, e dá pra explicar na padaria. Quanto mais pesado fica empregar, menos gente emprega. O custo que prometem tirar “dos patrões” chega na ponta como vaga que não abriu, contratação que não veio, currículo sem resposta. Não fica no dono. Escorre pra quem procura.
Quem entende isso para de bater palma pra quem promete emprego e começa a perguntar outra coisa: o que você vai fazer pra que arriscar valha a pena de novo? Porque emprego não se decreta. Se permite. Aparece quando criar fica mais fácil que ter medo.
Então, quando alguém prometer empregos do palanque, pergunta quantos ele já arriscou criar com o próprio dinheiro. O silêncio vai te dizer tudo.