Time que briga por título não contrata técnico no meio do campeonato. Contrata na pré-temporada, quando ninguém está olhando, quando o estádio está vazio e dá tempo de treinar o esquema até virar reflexo. Quem troca o comando com o campeonato andando não está montando projeto. Está apagando incêndio.
Pois a Gazeta do Povo abriu a cozinha da pré-campanha de Flávio Bolsonaro: time novo de marqueteiros, estratégia própria, missão de tirar o senador da sombra do pai e construir nome competitivo até outubro. Repare na data. Junho. Meses antes da convenção. Estádio vazio.
E aqui está o que quase ninguém te conta: o problema do Flávio é o mesmo do vereador de cidade pequena. Parece piada, não é. Ele tem sobrenome, mas não tem biografia eleitoral própria consolidada pro cargo que mira. Tecnicamente é um candidato em construção de identidade, igual ao desconhecido do interior. A diferença está no orçamento, não na natureza do problema.
E a resposta dos profissionais ao problema é a mesma em qualquer escala: sequência, não volume. Primeiro o eleitor fixa quem você é. Depois entende o que você defende. Só então alguém pede o voto. Quem inverte a ordem queima dinheiro: pedir voto pra um nome que o eleitor não fixou é anunciar liquidação de uma loja que ninguém sabe onde fica.
O timing fecha a lição. Identidade não se constrói no período eleitoral, com o adversário atirando e a imprensa cronometrando. Se a maior pré-campanha do campo conservador está treinando o time em junho, no silêncio, o que dizer do candidato local que pretende “começar depois das convenções”?
A eleição se decide no período que quase todo mundo desperdiça. Os profissionais do Flávio já estão em campo. E o seu time, vai começar a treinar quando o campeonato já estiver rolando?