Tem uma palavra que aparece em quase todo discurso de campanha, e é a mais perigosa de todas: gratuito. Curso gratuito. Exame gratuito. Transporte gratuito. Soa generoso, soa como presente. E é aí que mora a armadilha, porque presente, na economia, não existe.
Pensa numa coisa simples. Quando o político promete algo de graça, ele não tira do bolso dele. Tira de um bolso que você não vê. O exame “gratuito” foi pago por alguém: o dono da padaria que recolheu imposto, o trabalhador que viu o salário chegar menor, a dona de casa que pagou mais caro no arroz sem saber por quê. O dinheiro não nasce no anúncio. Sai de gente real, no escuro.
Por isso “gratuito” é a palavra mais cara da política. Ela não elimina o custo. Esconde quem carrega. E quase sempre quem carrega é quem tem menos voz: o pequeno, o que trabalha o dia inteiro e não tem tempo de perceber que está pagando duas vezes. Uma no imposto. Outra no preço que sobe.
Não é que serviço público não deva existir. É que chamar de “grátis” é mentira, e mentira em campanha vira frustração depois da posse. O eleitor acredita no presente, vota no presente, e descobre tarde que o presente tinha boleto. O boleto chega no nome dele, parcelado, em cada compra.
Quem entende isso não cai no truque, e melhor, sabe explicar. Não precisa de palavra difícil. Basta perguntar, na frente de qualquer “gratuito”: ótimo, e quem paga? Se ninguém souber responder, a conta é sua. Sempre foi.
A próxima vez que ouvir uma promessa de graça, faz só esse exercício. Procura o dono invisível da conta. Ele está sempre lá, calado, trabalhando pra bancar um presente que nunca vai receber. Porque de graça, de verdade, só tem uma coisa na política: a promessa. O resto, alguém paga. E geralmente é você.