Tem um momento exato em que um nome vira marca, e quase nenhum candidato chega nele, porque exige fazer o que dói: parar de falar de si. O candidato comum fala dele o tempo todo. Minha história, minha luta, minhas propostas. Meu, meu, meu. E o eleitor, do outro lado, pensa: e eu com isso? Quem só fala de si vira folheto. E folheto a gente joga fora.
Marca é outra coisa. É quando o seu nome passa a significar algo na cabeça da pessoa, algo que é sobre ela, não sobre você. Quando alguém ouve o seu nome e pensa “é o cara que resolve isso”, ou “é a que fala a minha língua”, aí você virou marca. E ninguém vira marca falando de si. Vira falando da vida de quem ouve.
Pensa nas marcas que ficam na sua cabeça. Nenhuma vendeu dizendo “olha como nós somos bons”. Elas falaram de você: do seu desejo, da sua dor, do seu dia. O candidato é igual. No instante em que troca “eu vou fazer” por “você merece”, “eu tenho um plano” por “o seu bairro precisa disso”, ele sai do palanque e entra na vida da pessoa. E quem entra na vida, fica.
Isso assusta o ego, e por isso quase ninguém faz. Dá medo sair do centro do próprio discurso. O candidato acha que, se parar de se elogiar, some. É o contrário. Quanto menos você fala de si e mais fala da vida do outro, mais o outro lembra de você. A pessoa não guarda quem se gabou. Guarda quem a fez se sentir vista.
Então faz o teste no próximo material. Conta quantas vezes aparece “eu” e quantas aparece “você”. Se o “eu” ganhar, você ainda é folheto. Vira o jogo. Fala da vida dele até o seu nome virar, na cabeça da pessoa, a resposta de um problema que é dela.
Aí você parou de ser candidato. Virou marca. E marca não se joga fora.